sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Este Tal Ciúmes

por Suara Bastos

Acredito que a maioria de nós deve concordar que sentir ciúmes não é muito agradável pois, dependendo da intensidade, pode consumir a relação, o ciumento e seu objeto de ciúmes, pois o ciumento pode limitar a liberdade do outro devido ao controle e insegurança excessivos.

Sem excessos, o ciúme até pode ser estimulante para a relação, caso contrário, pode tornar-se um transtorno sério.

Estamos acostumados a ouvir histórias reais de pessoas que cometeram loucuras, e até insanidades, por perderem o controle deste sentimento.

Estive recordando um fato em que a garota, tendo de sair para um compromisso, trancou o namorado dentro de casa, alegando não querer que ele conversasse com ninguém durante a sua ausência. Vale lembrar que, há alguns anos atrás, não havia tantos meios de comunicação e o rapaz acabou ficando várias horas trancado, muito provavelmente contorcendo-se de raiva. Nem é necessário dizer que este fato foi determinante para que o relacionamento terminasse pouco tempo depois.

De acordo com o pesquisador Ailton Amélio, os ciúmes são experimentados por quase todas as pessoas, em quase todas as culturas e em todas as épocas. Segundo ele, várias pesquisas constataram que quase todo mundo já sentiu ciúmes alguma vez na vida, sendo que cerca de 50% das pessoas declararam-se ciumentas.

Embora haja muitos estudos sobre o tema, ainda há divergências entre os pesquisadores, pois alguns o consideram como algo negativo e outros positivo. Há causas reais e fantasiosas dos ciúmes, que podem ser realistas, quando realmente se está sendo traído ou fantasiosas, ou seja, exageradas e sem razão de ser.

Quando este sentimento é excessivo e incontrolável, o chamado ciúme doentio, estamos referindo-nos ao ciúme patológico, apresentado no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSMIV), na categoria diagnóstica transtorno delirante de tipo ciumento, sendo neste caso importante a orientação e o acompanhamento profissional.

Os ciúmes podem surgir em diferentes contextos interpessoais, como ciúmes do parceiro (a), da família, amigos, de objetos pessoais, entre outros.

E pode ainda ser algo ou alguém real ou imaginário, como um lugar ou um objeto que se torne ameaçador para a relação, como a pelada no final de semana por exemplo.

As reações daqueles que são objeto de ciúmes moderados podem variar, podendo sentir-se agraciado com o cuidado excessivo do parceiro ou não tolerá-lo de jeito nenhum.

Sendo assim, uma avaliação sensata dos sentimentos e da verdadeira causa dos ciúmes, bem como a busca pelo autocontrole e equilíbrio, é essencial para que o ciumento possa construir relações afetivas mais saudáveis para si e para os demais.


Suara Bastos é psicóloga e facilitadora de treinamentos e workshops. Acesse: www.Suara.com.br

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