sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Quando a Sipat deixa de ser obrigação para ser satisfação?

por Dalmir Sant’Anna

No início da década de 90, o termo qualidade de vida passou a ser evidenciado com maior expressão no Brasil. Por meio de monografias, dissertações e teses se tornou temática recorrente no meio acadêmico. No ambiente empresarial e corporativo, a expressão qualidade de vida se transformou em um eco com forte representatividade, para destacar a experiência emocional do colaborador com o trabalho e seus efeitos nos resultados da organização. E a aplicabilidade da qualidade de vida gradativamente, passou a estar presente na Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (SIPAT). Para algumas organizações, estes eventos significam uma ação obrigatória, mas para outras, pode ser um diferencial relevante para avaliar o uso de equipamentos de segurança e promover melhorias no segmento de atuação.

Ao considerar que um forte desafio contemporâneo é viver com qualidade de vida, em um cenário cada vez mais competitivo, algumas organizações ainda consideram a SIPAT, unicamente, como uma ação obrigatória a ser cumprida anualmente, prevista na Portaria nº 3.214, item 5.16 da NR 5 do Ministério do Trabalho e Emprego. Em outra perspectiva, há empresas que além de cumprir este programa semanal obrigatório, conseguem realizar um envolvimento maior com todos os setores da organização. Desenvolvem temas relacionados à prevenção de acidentes, direção defensiva, doenças ocupacionais e assuntos ligados à qualidade de vida e bem estar do colaborador. Perceba nos dois fatores abaixo, como a SIPAT pode deixar de ser uma obrigação para se tornar uma satisfação na empresa e assim, conquistar maior participação dos colaboradores neste importante evento.

O resultado da troca do descaso pela comunicação – A ausência de uma relação justa e respeitosa pode ser motivo de um acidente de trabalho. Nesta abordagem não há dúvida que o medo, angústia, rancor e insatisfação fazem parte do cenário da vida no ambiente profissional. Em alguns aspectos são sentimentos originários do tratamento áspero entre colegas de trabalho, da ausência das relações interpessoais e da troca do descaso pela comunicação. Quando o objetivo é diminuir o afastamento por motivo de saúde e acidente, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) deve elaborar uma programação para conscientização efetiva, envolvendo a direção, gerência, supervisão e familiares. Perceba que em algumas empresas, quando a SIPAT ocorre, a família do colaborador desconhece, ou não recebe nenhuma informação da realização deste importante evento no ambiente profissional. A SIPAT pode deixar de ser uma obrigação, quando a comunicação é realizada em todos os setores, ultrapassa os muros da organização, alcança a comunidade local e chega à residência do colaborador.

Fatores que fazem diferença na SIPAT – Recentemente fui convidado para apresentar uma palestra durante o encerramento da SIPAT e fiquei surpreso com o grau de comprometimento da CIPA em elaborar um participativo programa de treinamento. Foi possível perceber a preocupação em avaliar a situação atual da empresa, o desenvolvimento de um projeto com a construção de um tema central e o envolvimento por meio de um programa diferenciado para cada dia da semana. Houve inclusive, a contratação de massagistas e profissionais de educação física para a prática de exercícios de alongamento, respiração, relaxamento e ginástica laboral. Estas atitudes previnem o aparecimento de doenças ocupacionais como as Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e o Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT). Outros exemplos que podem ser utilizados na programação da SIPAT são atividades lúdicas, interativas e palestras sobre planejamento financeiro, alimentação equilibrada, responsabilidade e comprometimento. Perceba que criar diferenciais para fazer a diferença na SIPAT, exige o compromisso de elaborar uma semana, para envolver os colaboradores dos mais diversos setores da organização.

Acredito que um segredo para a SIPAT deixar de ser obrigação está na ação de direcionar o olhar para dentro da própria empresa. Neste sentido, líderes, gestores e diretoria da empresa são presenças importantes na semana de prevenção de acidentes, principalmente para estimular os demais liderados para o uso dos equipamentos de proteção individual, valorização da qualidade de vida, assim como fortalecer o trabalho de conscientização voltado à saúde laboral. Algumas empresas acreditam que ao mostrar imagens de acidentes de trabalho e filmes de acidentes de trânsito irão reduzir o número de afastamentos. Verdadeiro engano, pois a mente do colaborador ao presenciar estes fatos não receberá nenhum estímulo de melhoria. Desta maneira será uma ação sem contribuição alguma para o envolvimento, participação e interatividade. A melhor maneira de perceber que a SIPAT alcançou a satisfação dos colaboradores é demonstrada pela mudança no comportamento e comprometimento nas atividades diárias e no fortalecimento do trabalho em equipe.


Dalmir Sant’Anna – Palestrante comportamental, Mestrando em Administração de Empresas, Pós-graduado em Gestão de Pessoas, Bacharel em Comunicação Social e Mágico profissional. Autor do livro "Menos pode ser Mais" e do DVD com o tem “Comprometimento como fator de Diferenciação”. Visite o site: http://www.dalmir.com.br/

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