por Suara Bastos
Geralmente, a maioria de nós tem muito medo de não ser aceito, ou seja, temos medo da rejeição por parte das pessoas que conhecemos e amamos.
Estamos o tempo todo preocupados sobre o que os amigos pensam de nós, os vizinhos, os colegas de trabalho, os parentes e até mesmo pessoas que não conhecemos, como aquele vendedor atencioso, por exemplo. Muitas vezes acabamos comprando alguma coisa, mesmo quando não queremos ou necessitamos, somente para não ficar “chato”, afinal pedimos para que ele nos mostrasse tantas mercadorias que acabamos por nos sentir na obrigação de levar o produto.
Situações como essas não são incomuns em nosso dia a dia. Por temermos a rejeição, acabamos fazendo muitas coisas a contragosto e até o que for necessário para agradar o “outro”, mesmo quando isto nos desagrada. Acabamos dizendo “sim”, quando na verdade queremos dizer “NÃO”.
O fato é que, se este tipo de comportamento for constante, pode significar que algo não está bem com a autoestima e, portanto, com a autoaceitação.
Quando não nos aceitamos como somos e não nos sentimos bem conosco mesmos, tememos que as outras pessoas também não nos aceitem, que descubram que somos um fiasco e que não somos capazes de fazer nada direito, segundo nossa própria crença.
Conheço casos de pessoas que, de tanto dizerem “sim” a tudo e a todos, acabaram por perder a própria identidade, confundindo seus gostos e necessidades com os gostos e necessidades dos outros e, muitas vezes, deixando de viver a própria vida, para viver a vida dos demais.
Em um caso específico, foram necessários vários meses de terapia para que a pessoa primeiramente conseguisse identificar o que estava acontecendo, compreender os porquês desse comportamento e, finalmente, reencontrar-se, adotando uma postura mais assertiva com relação a si e aos outros.
Importante mencionar que o autoconhecimento está totalmente relacionado com a autoaceitação; pois é por meio dele que passamos a ter consciência de quem realmente somos, dando-nos conta de nossas qualidades, habilidades, desejos, sonhos e também dos defeitos e fragilidades.
Um problema a considerar é que a maioria de nós infelizmente não se dispõe ou não considera importante passar por este processo de autoconhecimento. Entretanto, pela minha experiência com atendimentos clínicos, posso afirmar que quem vive a experiência do autoconhecer-se descobre um mundo de muitas possibilidades para si mesmo.
O autoaceitar-se é dar-se conta da pessoa que se é de fato, sem se preocupar em ser de uma maneira ou de outra simplesmente para agradar alguém. Fazer as pazes consigo mesmo, significa tratar-se de forma menos dura, evitando cobranças, críticas e julgamentos excessivos sobre si mesmo. É saber e aceitar que vamos errar algumas vezes, mas que isto não é o fim do mundo.
Aprender a perdoar-se e a ser mais tolerante, paciente e carinhoso consigo mesmo é um exercício diário que trará muitos benefícios. Ame e cuide de você assim como faria com uma pessoa querida e verá que valerá a pena. Feliz 2011 a todos nós!
Suara Bastos é psicóloga, mestranda em Psicologia Experimental pela Universidade de São Paulo e facilitadora de treinamentos e workshops. Acesse: www.Suara.com.br
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